quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Eleições 2006: 13 razões para escolher Geraldo

O acirramento da disputa interna em torno da definição do nome do PSDB que concorrerá à Presidência da República e a aceleração do ritmo da pré-campanha nos demais partidos impõe uma reflexão imediata em torno da “escolha de Sofia” que o ninho tucano têm diante de si.

Já escrevi em outras oportunidades que há problemas do fracasso e problemas do sucesso. A definição que se aproxima é – felizmente - uma questão do segundo tipo: tanto o prefeito José Serra, quanto o governador Geraldo Alckmin têm credenciais inequívocas para postular a indicação.

Todavia, já escrevi também que política não se faz com o retrovisor; que é preciso olhar à frente, tentando divisar o caminho a ser percorrido para escolher o melhor condutor para trilhá-lo. Nestas oportunidades externei que Geraldo Alckmin é o melhor nome para esta condução.

Posteriormente, logo após a liberação dos resultados das recentes pesquisas eleitorais oferecidas pelo IBOPE e pelo DataFolha, apresentei uma abordagem alternativa dos indicadores de intenção de voto - situados para além das interpretações mais corriqueiras feitas pela imprensa - que apontavam Geraldo Alckmin como o nome com maior potencial eleitoral dentre os pré-candidatos tucanos.

O que faço agora é estilizar os argumentos de uma maneira mais direta e articulada, incorporando observações empíricas e novos dados trazidos ao conhecimento público, de modo a reabastecer o armazém de argumentos com novas provisões. Há argumentos para todos os gostos – quantitativos, qualitativos, empíricos e contra-intuitivos. Com eles, preparei um menu de 13 pratos. Escolha o que melhor apetecer:

1. Geraldo tem a menor rejeição entre os pré-candidatos tucanos: quando há grande diferença entre o grau de conhecimento dos candidatos pelo eleitorado (o nome técnico é “hiato de identificação”), os números relativos à rejeição são mais significativos que os números de intenção de voto. Os números de Geraldo são os menores entre todos os pré-candidatos tucanos. É o menor dentre todos os pré-candidatos se cotejados com o índice de intenção de votos que é atribuído a cada um deles. E o que é mais significativo: o ritmo de crescimento de sua rejeição na série de pesquisa (tome-se a pesquisa IBOPE ou DataFolha, é indiferente) é sensivelmente menor que o ritmo de crescimento de sua intenção, o que evidencia que à medida que se revela como candidato para 10 novos eleitores, Geraldo conta com a preferência de 5 deles e com a rejeição de apenas 3.

2. Sua rejeição é transitória e de baixa profundidade: Os motivadores da rejeição experimentados pelo Governador são de fundo político-ideológico e administrativo, havendo pouca ou nenhuma referência a traços imutáveis da conduta pessoal, exceto uma difusa “falta de carisma”. Tais motivadores são facilmente tratáveis; e esta pretensa debilidade é de fato uma importante oportunidade a ser aproveitada, uma vez que a eleição que se avizinha será marcada pela demanda de seriedade, comedimento e renovação.

3. Geraldo tem o maior potencial de crescimento entre todos os candidatos: tal potencial está evidenciado por um teto máximo que se reduz num ritmo muitíssimo menor que o do crescimento da coluna de votos.

4. O atual Governador de São Paulo tem a maior intenção de votos ajustada entre todos o candidatos: É um erro pedestre comparar estatísticas de intenção de votos sem ponderá-las pelo nível de identificação do candidato pelo eleitor. Tome-se uma identificação de 40% do eleitorado com um nível de intenção de 20% e o leitor descobrirá que em cada 2 eleitores que conhecem Geraldo, 1 vota nele. Isto mesmo: quase 50% das intenções.

5. É o candidato mais temido por Lula, por ser um candidato “novo e imprevisível. Com ele a campanha vira uma incógnita”. São as reflexões que o Presidente oferece aos interlocutores mais chegados.

6. Tem o perfil pessoal mais contrastante com o do Presidente Lula: pode servir melhor ao arquétipo anti-Lula, caso seja identificada aí uma estratégia efetiva. As diferenças saltam aos olhos: carismático vs. sóbrio, empertigado vs. sereno, fala rápido vs. fala mansa, afeto ao palanque vs. afeto ao gabinete, emocional vs. racional, curvilíneo vs. longelíneo, mais ou menos católico vs. católico fervoroso, gordo vs. magro, cabeludo vs. careca, da esquerda para o centro vs. da direita para o centro, e por aí vai

7. Tem perfil mais adequado à polarização contra uma eventual terceira-via: leia-se Garotinho. As razões acima novamente se aplicam, em especial as de cunho confessional. Ainda que não seja tema para um debate público mais virulento, nem seja do interesse de nenhum candidato tal vinculação específica, os símbolos subjacentes sempre são manejados pelos estrategistas de plantão.

8. Tem perfil pessoal mais próximo ao dos motivadores de voto em 2006: honestidade, eficiência, sobriedade, renovação. Ao contrário do entendimento comum, o processo de escolha de um candidato é sempre, em sua origem, emocional. O passo seguinte é a racionalização e a “profundização” (assim mesmo, como no espanhol “profundización). O eleitor procura justificativas racionais para a escolha emocional feita – por vezes, através de contaminação por formadores de opinião - e apresenta tais justificativas organizadas em um discurso articulado cartesiano desenvolvido por ele próprio ou tomado emprestado de um terceiro. Por isto, a importância de “representar” um conceito na cabeça do eleitor que esteja afinado com a conjuntura em que processo eleitoral encontra-se inserido.

9. Geraldo ganha todas as enquetes feitas pelos meios de comunicação entre leitores e assinantes: entre interessados nos mistérios da política, e – não ria – informados da realização de eleições (formadores de opinião e spin-doctors de qualquer nível de escolaridade e renda), só da Geraldo. “E entre os demais ?”, o leitor dirá... Pergunte a um pedestre na rua quais os acontecimentos mais importantes do ano que há por vir e receberá como resposta: “Tem o Caranaval, a Copa do Mundo e...os Jogos Pan-Americanos (???!!). Parece que tem eleição, mas isto é só lá perto do Natal”

10. Geraldo ganha todas as enquetes feitas através da Internet: basta uma olhada mundo virtual, povoado por formadores de opinião de níveis de renda e de escolaridade mais altos, o Governador bate de longe todos os demais candidatos. espaço que tradicionalmente adianta tendências eleitorais. Ok, já era de se esperar. Mas cabe lembrar que este é um espaço de multiplicação importante e têm se revelado um excelente indicador antecedente de comportamentos coletivos no mundo real.

11. As comunidades Internet (Orkut, Gazzag, UolKut) Pró-Geraldo são 10 vezes maiores que as de simpatizantes de outros candidatos, o que pode indicar que os eleitores do Governador são mais fiéis, gregários e combativos numa esfera de expressão de preferências marcada pela liberdade e pela facilidade de intercâmbio. No simulacro da grande sociedade aberta, Geraldo Alckmin parece reencontrar o carisma que pretensamente lhe falta no mundo real.

12. Por todas as razões anteriores, o nome de Geraldo Alckmin detém os 3 vetores de crescimento da intenção eleitoral consagrados na literatura: a) maior potencial de multiplicação e captura das preferências eleitorais no âmbito dos eleitores interessados e decididos, b) maior potencial de contaminação de eleitores indecisos e c) maior potencial de incorporação de eleitores desinteressados e/ou sem opinião.

13. Por fim, Geraldo tem a preferência da bancada federal do PSDB (segundo recente consulta de “O Globo”). E segundo meus rudimentares alfarrábios, novas surpresas virão: se as contas de Nova Política estiverem novamente certas – estavam com relação à bancada parlamentar - Geraldo ganha na preferência dos Governadores e na aritmética dos Diretórios.