sexta-feira, novembro 17, 2006

Emir Sader é o "Forest Gump" brasileiro...

A recente polêmica em torno da condenação - em primeira instânia, é certo - do Prof. Emir Sader por injúria e difamação em ação movida pelo Senador Jorge Bornhausen gerou mais um destes manifestos de intelectuais destinados a lugar nenhum.

Desta vez, a coisa passou bem prá lá do aceitável: o propósito da quartelada é descancar uma decisão judicial condenatória fundamentada em evidencias documentais e na própria confissão do condenado.

A Justiça quer mandar Sader para casa (a condenação implica, entre outros, na perda de sua "sinecura" na combalida UERJ), mas minha tese é distinta: considero Sader simplesmente inimputável. Assim como os índios ianomamis, Forest Gump e os idiotas anti-imperialistas de plantão.

Emir é uma destas múmias empertigadas a quem a auto-indulgente "inteligentiza" brasileira, encastelada nos indigentes gabinetes das universidades públicas estaduais e federais, paga vultosos salários em troca da produção intensiva de erros de concordância e panfletos coletivistas ofensivos, deselegantes, desimportantes e amalucados, como o publicado em Carta Maior.

Para esta "raça" - desde já aviso, infelizmente não sou banqueiro... - uma criança portando um passaporte com visto para conhecer Mickey, Pateta e sua turma é a expressão mais singela de uma política externa condenável e prova eloquente de nossa subserviência cultural ao Tio Sam. É desvio moral grave passível de ser tratado com doses homeopáticas e dissimuladas de marxismo vulgar oferecidos nestes panfletos doutirnários que nos acostumamos a chamar no Brasil de "livro didático".

Nutrindo-se do corporativismo de um punhado de acadêmicos desconhecidos que autorizam-se por sua pessoa jurídica - "olha, eu sou da Unicamp" - certamente morrerá achando-se grande coisa: o paladinoda luta contra Bush, os banqueiros, a globalização, o neo-liberalismo, a direita, as novelas, os sitcoms e tudo mais que couber neste balaio de gatos conceitual que a esquerda nostálgica e desherdada chama de imperialismo yankee.

Nunca saberá que foi um tolo como seus pares signatários: quixote sem público para além do convescote, raivoso, ranzinza e resmungão. Talvez desavisado, talvez até inocente. Certamente velho. Mas sem que lhe reste a esperteza do diabo.

Camisas quadriculadas cheirando a naftalina enfiadas para dentro de jeans surrados mal enjambrados, arrumadas em banheiros sujos de portas caídas e fios à vista. Livros amarelados dos anos 60, retirados de bibliotecas com inflitração, dispostos em estantes empoeiradas e empenadas, entremeados por pedidos de bolsas que nunca dão para nada e fotos orgulhosas em sorrisos com ditadores de papel... Meus Deus !!!, até Sader merecia melhor sorte.

A justiça brasileira faz-lhe um favor se mandá-lo da Universidade para casa. Quiçá os companheiros Chávez ou Fidel não lhe oferçam exílio naquelas paragens bananeiras, onde os amigos, seu crimes e trangressões pairam sempre acima da Lei.

Eu desde já inicio um contra-manifesto: "Eu apoio Emir Sader para Presidente do Iraque". Estou recolhendo assinaturas na seção "Comentários" deste post... Sirva-se.

Eleições 2006: Balé na Ágora Global

O debate na TV Globo foi o primeiro do segundo turno em modelo de "ágora grega", idêntico ao formato usado nas campanhas presidenciais americanas: banquinho alto e incômodo, mesinha desenhada para derubar papéis amontoados e muitos, muitos e largos passos sobre o tablado.
Simulacro de uma luta de boxe feita somente de jebs (ou de um lento jogo de capoeira) o modelo permite - com a movimentação das câmeras e escolha dos melhores enquadramentos pelo diretor de cena metido lá no switch - "esquentar" para o telespectador de casa o debate algo morno que ocorre no estúdio.

Caminhando na ágora global, os candidatos defrontam-se com 3 interlocutores possíveis: o eleitor indeciso que oferece a pergunta, o telespectador por trás da câmera, e o adversário no banquinho ao lado.

Sai-se melhor aquele que mostra-se capaz de interlocutar com todos três, preferencialmente da seguinte forma: (a) cria identidade e empatia com o primeiro, (b) oferece uma resposta de conteúdo técnico comunicada de modo emocional ao segundo, todavia sem deixar de comutar o olhar para o eleitor presente na platéia, e (c) usa o bailado conjunto à que os candidatos estão submetidos para alavancar sua estratégia comunicacional sobre o terceiro.

Vejamos o que se passou nesta noite, bloco a bloco:

1o. round: Se o incío de uma debate tradicional já é naturalmente morno, na "ágora" fica ainda mais frio. Como apresentadores iniciantes de um show de variedades, os candidatos testam marcações e espaços (onde o "quando" é tão importante quanto o "onde"). Sentar-se, levantar-se, apertar a tela, identificar o escolhido, cruzar o palco, olhos no eleitor, olhos no telespectador atrás da câmera, rabo de olho no adversário, olhos no relógio no piso, responder, fazer sentido, ceder a palavra. Por vezes, retornar ao banquinho. Segundos depois, novo balé. Evidente: demoram até adquiri segurança, localizar a câmera ativa. Enfim, a "tornarem-se e mostrarem-com controle do campo de jogo. Resultado: cochilos em casa e na platéia.

2o. round: Reconhecida a arena, o desembaraço natural e os gestos largos falam mais alto. Ganha o braço que sobe e desce, os óculos que saem com uma mão e voltam com a outra. Perde a mão cruzada acima da barriga. Deu Lula, por larga margem, porque ganha o que melhor compõe (a), (b) e (c) que se seguem: (a) ele como o eleitor sabe o que ter enchente em casa, b) usou e abusou do jogo de olhos entre câmera e platéia e (c) capturou Geraldo na chamada "síndrome do discípulo" (na tradução pé-da-letra do inglês: síndrome do monge obsequioso). Usou a proximidade em linha que o adversário teimava em manter - ambos dentro do mesmo enquadramento de câmera - para estabelecer deliberadamente contato físico ou visual em uma situação onde somente um dos lados podeira falar.

Explico-me: em virtude da marcação que Geraldo Alckmin involuntariamente adotou nos 2 primeiros blocos - sempre ao lado de Lula, por vezes ao alçance do braço do adversário - foi possível ao petista estabelecer uma "palestra" de dois ouvintes: Geraldo a seu lado aquiecendo involuntariamente com a cabeça e o eleitor indeciso mirando à Lula, ambos sem poder manifestar-se. Em uma estratégia defensiva, a técnica correta é evitar o contato visual - uma vez establecido, rompê-lo transparece falta de cordialidade ou medo - colocando-se lá atrás, às costas do adversário, de preferência em uma linha diagonal que garanta um posicionamento fora do enquadrameto do plano de fundo. Na estratégia ofensiva, a técnica correta é tomar parte do colóquio à trés, manear a cabeça negativamente (nunca afirmativamente, ainda que seja um mania ou tique), e - uma vez retomada a palavra - "chamar com os olhos" o adversário para um colóquio similar, durante a réplica. Qulaquer delas é correta. Compor ambas em um mesmo movimento, nunca.

3o. round: Entendidas as regras do bailado e corrigido a marcação, Geraldo Alckmin "deu um banho" no 3o. bloco. Aprendeu depressa: usou o posicionamento em linha 3 vezes, mas para - de imediato e de modo correto - contradizer o adversário. Logrou estabelecer ofensivamente o tal colóquio triplo duas vezes. Em uma, Lula esquivou-se. Desembarasou-se, fez o jogo platéia-camêra com maestria. Em 3 das 4 perguntas estabeleceu empatia com o eleitor presente. "Show de bola".

Round Final: Mensagem final é emoção e contraste, nada mais. Fica tão melhor quanto menos números tiver. A de Geraldo, forte, sobria, positiva, mãos abertas e à vista, olhos nos olhos, valores, não mentir, não roubar, futuro. Tinha seu rosto tomando todo o enquadramento (quem estava atento viu que o cameraman até chegou um pouco para trás...). No texto, desde um apropriado Martin Luther King ("Eu tenho um sonho(...)") até o surrado mas eficiente slogan de Nova Política ("O Brasil pode mais"). De Lula, lembro de uns números, o olhar meio perdido, continuar o que está sendo feito e o já anedótico "Nunca, antes, neste país (...)".

Por fim um dica: algúem da comunicaçao que estiver in loco tem de assistir o debate através da imagem da televisão. Afinal, é esta a paisagem que importa, não é mesmo ???

Se como asseveram os papas da comunicação e estratégia política, "a última impressão é a que fica", 3 x 1 para Geraldo Alckmin no placar dos debates de 2o. turno. Vejamos que surpresas nos revela o próximo domingo.

domingo, maio 28, 2006

Eleições 2006: 10 verdades sobre a escolha tucana

A grande imprensa tem oferecido destaque cotidiano ao processo de escolha do candidato tucano a Presidência da República. Em que pese o esforço de uma cobertura imparcial e equilibrada, é empresa fácil identificar simpatias e fidelidades entre os principais articulistas e jornalistas especializados e uma curiosa homogeneidade no viés das análises.

Tal homogeneidade talvez justifique-se no esquecimento de que a ação política fundada em uma estratégia competitiva é, sobretudo, um movimento diversionista. Entre palavras e acenos oferecidos com o propósito deliberado de produzir sinais trocados, é preciso desvelar certas verdades e recalibrar expectativas relativas ao timing e resultado da escolha tucana.

E o que me proponho a fazer nos dez argumentos que seguem:

1. O “atraso” na escolha do candidato tucano não tem efeito algum sobre a competição eleitoral no longo prazo. Escolhido o candidato, este poderia transformar o monólogo governista em contraditório eleitoral. Mas a ansiedade partilhada pelas bases tucanas - e alimentada pela cobertura da imprensa especializada - pode causar mais prejuízos que qualquer atraso na fulanização das alternativas peessedebistas. O descolamento do presidente Lula nos números de intenção na pesquisa de opinião nada mais é que um deslocamento transitório das preferências de eleitores entre os candidatos. Nada a ver com o processo de incorporação de indecisos – o número de eleitores que se mantém sem candidato continua no mesmo patamar nos últimos 6 meses. Por esta razão, tal descolamento pode ser perfeitamente revertido, quando estiver efetivamente instalada a competição eleitoral. Cabe lembrar que o PSDB tem por tradição “decidir por último” e não deveria abrir mão da vantagem competitiva de adotar uma estratégia seguidora, quando esta é – na fase de pré-campanha – a estratégia recomendada para o partido que “lidera” a posição contestadora. Aqui vale a máxima de José Maria Alckmin: “o tempo da política é a política. Tenha o tempo o tamanho que for”

2. O “atraso” na escolha do candidato tucano têm efeito negativo sobre as pré-candidaturas com menor grau de exposição, conhecimento e/ou recall. Pré-candidaturas que experimentam níveis de conhecimento, intenção e rejeição baixos precisam de 2 ingredientes básicos para revelarem-se ao eleitorado: tempo e paciência. Há ainda outra uma razão para um decisão tão mais cedo quanto possível: se após a escolha houver feridas à cicatrizar, o tempo é sempre o melhor remédio.

3. A “hesitação” de Serra é uma estratégia protelatória com fins competitivos internos. Nada tem a ver com a competição eleitoral ou com a união partido. Se Serra é favorito inequívoco, cabendo-lhe somente manifestar-se interessado, porque o PSDB – ou mesmo o prefeito - ainda não tomou sua decisão ? O motivador central seria a desvantagem competitiva já experimentada em disputar uma eleição nacional sem o uníssono do PSDB. Todavia, o passar do tempo concorre para o aumento da divergência interna, não para o seu amansamento. A aposta serrista é a de que a indefinição e o tempo contribuam para fixar o recall em torno de seu nome e estagnar o crescimento de uma pré-candidatura que vêm de trás e tem limites para revelar-se antes da definição formal. Atrasar a definição é atrasar o debate. Atrasar o debate é manter o último embate na cabeça do eleitor.

4. Não há “divisão” entre serristas e alckmistas no interior do partido. O pretenso apoio da cúpula a pré-candidatura do prefeito de São Paulo não resiste a uma contabilidade cuidadosa das fidelidades na Executiva Nacional, ou mesmo a uma consulta sincera às bases das partidárias. Em verdade, trata-se de um ensaio de imposição de candidatura tradicional nascida no núcleo fundador do partido– todavia minoritária - em detrimento de uma outra do tipo oposto, todavia amplamente majoritária. Uma “divisão” produz duas metades, não duas secções de tamanho tão diferente.

5. Se Serra apresentar-se como pré-candidato, as prévias virão. Ou qualquer forma de consulta ampliada, onde a maioria possa fazer valer tal “divisão sem duas metades”. Serra condiciona sua candidatura à união do partido não somente porque conhece a experiência de disputar uma eleição sem apoio integral, mas porque sabe fazer contas: em qualquer consulta democrática, em qualquer instância partidária não obterá um resultado favorável. Portanto, como um prócere da racionalidade política, tenderá a não se apresentar para prévias – a exemplo do recuo estratégico adotado no embate prévio com o ex-Governador Mário Covas em 1994. E Geraldo não arredará o pé de competir, uma vez que há muito sua candidatura não mais lhe pertence.

6. A escolha do candidato tucano não ser fará antes da chegada de abril. Fazendo as contas, a imprensa já anunciou 6 datas diferentes para o anúncio do candidato do PSDB. Parece pouco provável que algum anúncio ocorra antes do dia 19 de março, data das prévias do PMDB. A boa aposta é, sem dúvida, o dia 31 de março, data para desincompatibilização dos pré-candidatos.

7. Se vierem as prévias – ou qualquer outro mecanismo de consulta ampliada – Geraldo Alckmin será o escolhido. Geraldo detêm apoio amplo e inequívoco na base de partido. Nas contas atuais de Nova Política: 5 governadores, 8 senadores, 38 deputados federais, 18 diretórios estaduais. Tal amplitude e dimensão de apoio é ainda mais considerável quando toma-se em conta a perspectiva de poder gerada pelos índices de intenção corrente, favoráveis à pré-candidatura contrária.

8. A reunificação do PSDB será mais fácil em torno de Geraldo Alckmin. A reunificação em torno do tucano escolhido é um imperativo da eleição. Tal reunificação será mais fácil em torno de Alckmin, uma vez que conformar a chamada “cúpula” ao resultado que lhe causa surpresa é tarefa bem mais fácil que conformar diretórios estaduais e municipais ao redor do país a um resultado que lhes causaria revolta. Ademais, nas palavras de FHC, “um governo Serra será um governo de Serra. Um governo Geraldo, será um governo do PSDB”.

9. A opção por Geraldo é uma opção “para vencer”. Já escrevi em outras oportunidades porque Alckmin tem o maior potencial de crescimento dentre todos os pré-candidatos, de todos os partidos. Faz-se necessário reconhecer que em todo potencial reside também um risco, há também de dar-se conta de uma evidência empírica: Geraldo é um ganhador de “eleições perdidas”. O desafio do Governador é fazer-se conhecido nacionalmente, em sua primeira (?!) eleição majoritária. Sim, porque em verdade Geraldo Alckmin disputa sua primeira eleição majoritária na casa dos milhões de votos. Geraldo disputou reeleições ao Governo do São Paulo: o eleitorado votante conhecia de antemão seu perfil como Vice-Governador e suas realizações como Governador na ausência de Covas. Ainda sim, este não é um problema intratável: de modo contrário, revela o tremendo impulso que o conhecimento mais amplo (a ser proporcionado pela propaganda eleitoral) poder dar em sua candidatura.

10. A opção Geraldo é uma problema para Lula e Garotinho. Lula e Garotinho compõem o melhor cenário para Geraldo Alckmin. A candidatura de Geraldo é o elemento novo numa eleição que, sem ele, já se viu. Para além da imprevisibilidade trazida pela novidade, a presença de Geraldo na competição amplia o espectro ideológico das alternativas, permitindo aprofundar o contraditório entre Lula e seu avesso natural, polarizando a eleição logo no primeiro turno.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Eleições 2006: 13 razões para escolher Geraldo

O acirramento da disputa interna em torno da definição do nome do PSDB que concorrerá à Presidência da República e a aceleração do ritmo da pré-campanha nos demais partidos impõe uma reflexão imediata em torno da “escolha de Sofia” que o ninho tucano têm diante de si.

Já escrevi em outras oportunidades que há problemas do fracasso e problemas do sucesso. A definição que se aproxima é – felizmente - uma questão do segundo tipo: tanto o prefeito José Serra, quanto o governador Geraldo Alckmin têm credenciais inequívocas para postular a indicação.

Todavia, já escrevi também que política não se faz com o retrovisor; que é preciso olhar à frente, tentando divisar o caminho a ser percorrido para escolher o melhor condutor para trilhá-lo. Nestas oportunidades externei que Geraldo Alckmin é o melhor nome para esta condução.

Posteriormente, logo após a liberação dos resultados das recentes pesquisas eleitorais oferecidas pelo IBOPE e pelo DataFolha, apresentei uma abordagem alternativa dos indicadores de intenção de voto - situados para além das interpretações mais corriqueiras feitas pela imprensa - que apontavam Geraldo Alckmin como o nome com maior potencial eleitoral dentre os pré-candidatos tucanos.

O que faço agora é estilizar os argumentos de uma maneira mais direta e articulada, incorporando observações empíricas e novos dados trazidos ao conhecimento público, de modo a reabastecer o armazém de argumentos com novas provisões. Há argumentos para todos os gostos – quantitativos, qualitativos, empíricos e contra-intuitivos. Com eles, preparei um menu de 13 pratos. Escolha o que melhor apetecer:

1. Geraldo tem a menor rejeição entre os pré-candidatos tucanos: quando há grande diferença entre o grau de conhecimento dos candidatos pelo eleitorado (o nome técnico é “hiato de identificação”), os números relativos à rejeição são mais significativos que os números de intenção de voto. Os números de Geraldo são os menores entre todos os pré-candidatos tucanos. É o menor dentre todos os pré-candidatos se cotejados com o índice de intenção de votos que é atribuído a cada um deles. E o que é mais significativo: o ritmo de crescimento de sua rejeição na série de pesquisa (tome-se a pesquisa IBOPE ou DataFolha, é indiferente) é sensivelmente menor que o ritmo de crescimento de sua intenção, o que evidencia que à medida que se revela como candidato para 10 novos eleitores, Geraldo conta com a preferência de 5 deles e com a rejeição de apenas 3.

2. Sua rejeição é transitória e de baixa profundidade: Os motivadores da rejeição experimentados pelo Governador são de fundo político-ideológico e administrativo, havendo pouca ou nenhuma referência a traços imutáveis da conduta pessoal, exceto uma difusa “falta de carisma”. Tais motivadores são facilmente tratáveis; e esta pretensa debilidade é de fato uma importante oportunidade a ser aproveitada, uma vez que a eleição que se avizinha será marcada pela demanda de seriedade, comedimento e renovação.

3. Geraldo tem o maior potencial de crescimento entre todos os candidatos: tal potencial está evidenciado por um teto máximo que se reduz num ritmo muitíssimo menor que o do crescimento da coluna de votos.

4. O atual Governador de São Paulo tem a maior intenção de votos ajustada entre todos o candidatos: É um erro pedestre comparar estatísticas de intenção de votos sem ponderá-las pelo nível de identificação do candidato pelo eleitor. Tome-se uma identificação de 40% do eleitorado com um nível de intenção de 20% e o leitor descobrirá que em cada 2 eleitores que conhecem Geraldo, 1 vota nele. Isto mesmo: quase 50% das intenções.

5. É o candidato mais temido por Lula, por ser um candidato “novo e imprevisível. Com ele a campanha vira uma incógnita”. São as reflexões que o Presidente oferece aos interlocutores mais chegados.

6. Tem o perfil pessoal mais contrastante com o do Presidente Lula: pode servir melhor ao arquétipo anti-Lula, caso seja identificada aí uma estratégia efetiva. As diferenças saltam aos olhos: carismático vs. sóbrio, empertigado vs. sereno, fala rápido vs. fala mansa, afeto ao palanque vs. afeto ao gabinete, emocional vs. racional, curvilíneo vs. longelíneo, mais ou menos católico vs. católico fervoroso, gordo vs. magro, cabeludo vs. careca, da esquerda para o centro vs. da direita para o centro, e por aí vai

7. Tem perfil mais adequado à polarização contra uma eventual terceira-via: leia-se Garotinho. As razões acima novamente se aplicam, em especial as de cunho confessional. Ainda que não seja tema para um debate público mais virulento, nem seja do interesse de nenhum candidato tal vinculação específica, os símbolos subjacentes sempre são manejados pelos estrategistas de plantão.

8. Tem perfil pessoal mais próximo ao dos motivadores de voto em 2006: honestidade, eficiência, sobriedade, renovação. Ao contrário do entendimento comum, o processo de escolha de um candidato é sempre, em sua origem, emocional. O passo seguinte é a racionalização e a “profundização” (assim mesmo, como no espanhol “profundización). O eleitor procura justificativas racionais para a escolha emocional feita – por vezes, através de contaminação por formadores de opinião - e apresenta tais justificativas organizadas em um discurso articulado cartesiano desenvolvido por ele próprio ou tomado emprestado de um terceiro. Por isto, a importância de “representar” um conceito na cabeça do eleitor que esteja afinado com a conjuntura em que processo eleitoral encontra-se inserido.

9. Geraldo ganha todas as enquetes feitas pelos meios de comunicação entre leitores e assinantes: entre interessados nos mistérios da política, e – não ria – informados da realização de eleições (formadores de opinião e spin-doctors de qualquer nível de escolaridade e renda), só da Geraldo. “E entre os demais ?”, o leitor dirá... Pergunte a um pedestre na rua quais os acontecimentos mais importantes do ano que há por vir e receberá como resposta: “Tem o Caranaval, a Copa do Mundo e...os Jogos Pan-Americanos (???!!). Parece que tem eleição, mas isto é só lá perto do Natal”

10. Geraldo ganha todas as enquetes feitas através da Internet: basta uma olhada mundo virtual, povoado por formadores de opinião de níveis de renda e de escolaridade mais altos, o Governador bate de longe todos os demais candidatos. espaço que tradicionalmente adianta tendências eleitorais. Ok, já era de se esperar. Mas cabe lembrar que este é um espaço de multiplicação importante e têm se revelado um excelente indicador antecedente de comportamentos coletivos no mundo real.

11. As comunidades Internet (Orkut, Gazzag, UolKut) Pró-Geraldo são 10 vezes maiores que as de simpatizantes de outros candidatos, o que pode indicar que os eleitores do Governador são mais fiéis, gregários e combativos numa esfera de expressão de preferências marcada pela liberdade e pela facilidade de intercâmbio. No simulacro da grande sociedade aberta, Geraldo Alckmin parece reencontrar o carisma que pretensamente lhe falta no mundo real.

12. Por todas as razões anteriores, o nome de Geraldo Alckmin detém os 3 vetores de crescimento da intenção eleitoral consagrados na literatura: a) maior potencial de multiplicação e captura das preferências eleitorais no âmbito dos eleitores interessados e decididos, b) maior potencial de contaminação de eleitores indecisos e c) maior potencial de incorporação de eleitores desinteressados e/ou sem opinião.

13. Por fim, Geraldo tem a preferência da bancada federal do PSDB (segundo recente consulta de “O Globo”). E segundo meus rudimentares alfarrábios, novas surpresas virão: se as contas de Nova Política estiverem novamente certas – estavam com relação à bancada parlamentar - Geraldo ganha na preferência dos Governadores e na aritmética dos Diretórios.